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Salvador – Caricaturista

Feira do Largo da Ordem


Ele é pintor de rua – como nos tempos dos impressionistas. E ganhou fama retratando o Oil Man. Aliás, como o Oil e o Plá, Salvador Barbeto, o artista, se diz o maior incentivador da bicicleta em Curitiba

Gabriel Hamilko

Hora do almoço na Praça Tiradentes. A correria contrasta com a tranquilidade dos pássaros. Outras gentes aproveitam o momento vago e disputam um banco à sombra.

Uma situação chama a atenção dos passantes da praça – símbolo de Curitiba. Próximo às primeiras trilhas do antigo povoado de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, um pintor está com todo o seu material montado.

Não é mais comum andar pelos locais públicos e esbarrar em artistas ao ar livre, à moda Montparnasse. Quem seria ele? Diz-se.

– Não tem nada o que fazer?

– Será que é desocupado e resolveu tirar o dia para pintar em pleno Centro?

Salvador Barbeto – roupa simples, bicicleta ao lado – não se incomoda. “Sempre procuro achar um espaço que não seja uma passagem, para não atrapalhar ninguém, e que tenha uma sombra, pois ficar o dia inteiro no sol, ninguém merece”, diz o descendente de italiano, como o próprio jeitão e sobrenome denunciam.

Barbeto já pintou em vários lugares em Curitiba. São 25 anos retratando pontos turísticos, esquinas, casarões ou paisagens bucólicas. Inclui nessa galeria alguns retratos que nem existem mais, como a Casa do Ingresso e, em um exemplo mais recente, a Pracinha do Batel – agora dividida em dois.

A aquarela, sua técnica, exige empenho e concentração. Salvador diz que são necessários, no mínimo, três dias para finalizar a obra. Para se distrair, não deixou de aderir ao bom e velho rádio. Enquanto conversa, busca a inspiração na música de Pink Floyd.

Quem vê Salvador na rua não imagina sua formação: cursou Desenho Técnico de Mecânica Industrial pelo antigo Cefet-PR, estudou Desenho Artístico, pintura a óleo e aquarela com vários professores particulares. Identificou-se mais com a aquarela.

Depois de finalizada, a aquarela vai para o seu ateliê ao ar livre: a Feirinha do Largo da Ordem. Lá é o seu endereço fixo nos domingos pela manhã. Os compradores são variados: de famílias do Batel a estrangeiros. “Muitos franceses e americanos compram e acabam difundindo meu trabalho fora do país”, ressalta Barbeto.

Enquanto vende seus quadros atrás do Relógio das Flores e ao lado da tradicional roda de chorinho, faz caricaturas dos frequentadores e expõem outras. Retrata personagens típicos de Curitiba, como o sucesso de crítica Oil Man (alguns dias atrás dado como morto, mas que anda vivinho pela XV). “A caricatura do Oil Man é um sucesso. De tanta insistência, já fiz mais três encomendas. Uma delas encontrei ao acaso, quando arrumava minha bicicleta e ao entrar no estabelecimento dei de cara com a minha arte”.

Aliás, a bicicleta é outra coisa que o aproxima do famoso homem de sunga. O pintor só se locomove com ela. Sai do Boqueirão e disputa espaço no trânsito, carregando na frente as pinturas e materiais.

“Costumo dizer que nessa cidade somos eu, o Oil Man e o Plá – as figuras que mais andam e incentivam a causa da bicicleta em Curitiba”.

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